
Pros próximos dias, junto com a volta de Zelaya - o presidente democraticamente eleito - podemos esperar uma batalha sangrenta nas ruas hondureñas. O chamado às ruas já foi feito. O ultimato já foi dado. Não há mais o que ser feito a não ser esperar (e torcer) para que o povo de Honduras retome as rédeas de seu destino.
Chama a atenção o contexto no qual esse golpe aconteceu: a completa rejeição internacional do ataque às instâncias democráticas de Honduras contrasta com o contexto militarizado dos anos 60. Ainda assim, é evidente que a simples pressão internacional não é o suficiente para reestabelecer um presidente. A ambiguidade da política norte-americana deve ser avaliada com o mesmo cuidado. Se Obama parece acenar com o repúdio ao golpe efetuado, na prática, a política dos E.U.A. não é tão amena quanto apregoam. Que Obama não é Bush, isso ninguém duvida. Mas, por mais simpático que seja, Obama continua o commander-in-chief do maior império da face da Terra. Esse detalhe é importante.
No mais, não podemos cair na besteira apregoada por aí: "ah, Honduras é apenas mais uma república de bananas". Se há uma lição a ser tirada dos últimos acontecimentos na América Central, é que há um risorgimento da direta na latinoamerica - o que hoje pode ser um caso pontual, daqui a alguns anos pode se configurar numa tendência. Que Chávez, Correa e Evo fiquem de olho. Acabou a moleza. Os próximos anos serão fundamentais para uma avaliação dessa onda nacionalista-revolucionária no nosso continente. O tal do projeto do socialismo do século XXI estará em jogo.
