segunda-feira, 20 de julho de 2009

Honduras: alerta na América Latina


Os próximos dias devem ser cruciais para o futuro do país com mais golpes de Estado na América Latina - e olha que a concorrência é grande. Após uma semana de intensa mobilização e tentativas de acordo, parece que Honduras chegou de vez a um impasse insuperável. As instâncias diplomáticas foram esgotadas, e qualquer espécie de consenso pacífico parece não ser mais possível no país da América Central.

Pros próximos dias, junto com a volta de Zelaya - o presidente democraticamente eleito - podemos esperar uma batalha sangrenta nas ruas hondureñas. O chamado às ruas já foi feito. O ultimato já foi dado. Não há mais o que ser feito a não ser esperar (e torcer) para que o povo de Honduras retome as rédeas de seu destino.

Chama a atenção o contexto no qual esse golpe aconteceu: a completa rejeição internacional do ataque às instâncias democráticas de Honduras contrasta com o contexto militarizado dos anos 60. Ainda assim, é evidente que a simples pressão internacional não é o suficiente para reestabelecer um presidente. A ambiguidade da política norte-americana deve ser avaliada com o mesmo cuidado. Se Obama parece acenar com o repúdio ao golpe efetuado, na prática, a política dos E.U.A. não é tão amena quanto apregoam. Que Obama não é Bush, isso ninguém duvida. Mas, por mais simpático que seja, Obama continua o commander-in-chief do maior império da face da Terra. Esse detalhe é importante.

No mais, não podemos cair na besteira apregoada por aí: "ah, Honduras é apenas mais uma república de bananas". Se há uma lição a ser tirada dos últimos acontecimentos na América Central, é que há um risorgimento da direta na latinoamerica - o que hoje pode ser um caso pontual, daqui a alguns anos pode se configurar numa tendência. Que Chávez, Correa e Evo fiquem de olho. Acabou a moleza. Os próximos anos serão fundamentais para uma avaliação dessa onda nacionalista-revolucionária no nosso continente. O tal do projeto do socialismo do século XXI estará em jogo.

domingo, 19 de julho de 2009

Primeiras Perguntas

A pergunta mais óbvia da apresentação, sem dúvida, deve ser: o que diabos eu, Fernando, estou fazendo por aqui?


A resposta é clichê mas não poderia ser outra: estou aqui para emitir meus pensamentos nesse buraco negro internético que é a blogosfera. Aos poucos, vou soltando minhas mensagens dentro de garrafas nesse oceano que é a internet – quem sabe, algum dia, a mensagem alcance o seu destino.


Nesse ponto não tenho nada de especial: com esse objetivo, sou apenas eu e a torcida do Flamengo.


Porém, há algo que me motiva, além de falar para o vazio: não tem como negar, há algo de novo por aqui ou acolá. Talvez seja pretensioso demais falar que a internet traz, em si, uma espécie de “espírito do nosso tempo”, mas essa história toda de Blogs, de Youtube, de podcasts, de Twitter e o diabo a quatro traz certas coisas com as quais ainda não estamos – principalmente nós, da esquerda – totalmente preparados para lidar. As possibilidades são infinitas, e o trabalho está só começando.. A verdade verdadeira mesmo é que não sei onde tudo isso vai dar.


Por enquanto sou apenas mais uma mosca – talvez uma mosca um pouco mais vermelha que as outras – a importunar os conformados, nessa obstinada construção daquilo que chamamos de “Novo”. Em breve seremos muitas mais, pode apostar.